IRINEU
BORNHAUSEN E A LUMBER:
O nosso município, sem dúvida,
sofreu rude golpe com a quase paralização da Lumber. É que a poderosa empresa
norte-americana (já há algum tempo incorporada ao Patrimônio Nacional), sempre
pesou na balança econômica de Canoinhas. Sendo porque deu trabalho há quase mil
empregados e sempre constituiu um dos esteios da arrecadação municipal e
estadual em Canoinhas.
A próspera vila de Três Barras viveu em
função da Lumber.
Mesmo o comércio e o movimento
bancário local, dependem em parte do funcionamento da Lumber em toda a sua
plenitude. E além da vila de Três Barras, a Lumber influi em outras regiões do
interior, naquelas servidas pela sua rede ferroviária, tais como: o Palmital,
Paiol Velho, Rio Bonito e Rio Claro. É vasta a importância da Lumber no
município.
A recente paralização das serrarias da
Lumber e a conseqüente despedida de cerca de quinhentos operários, refletiu
assustadoramente no panorama econômico municipal.
Na vila de Três Barras, o movimento
comercial decaiu a olhos vistos, o mesmo acontecendo no Palmital e no Paiol
Velho.
Aproximadamente quinhentos chefes de família foram levados ao desemprego; centenas de lavradores que faziam lenha para alimentar as fornalhas das locomotivas da Lumber, tiveram que reduzir seu trabalho, passando a produzir e vender menos.
O Governo Federal, meses atrás anunciou a
venda do patrimônio da Lumber, abrindo para isso, a necessária concorrência
pública. Diversos prazos correram, sem que fosse apresentada uma única proposta
de compra. Agora entretanto, o senhor Irineu Bornhausen, grande industrial de
reconhecido e comprovado valor administrativo, homem capaz de grandes
realizações, veio apresentar uma proposta de compra da Lumber ( a qual ele
pretende reerguer) favorecendo Três Barras e o nosso município.
Irineu Bornhausen é no momento o único
concorrente à compra da Lumber e desta forma, é quase certo que a proposta que
apresentou será considerada. Desde que se concretize a compra, devem ser
atacadas as obras de conclusão da estrada de ferro até as reservas florestais
da Companhia, no município de Curitibanos. A serraria principal voltará a
funcionar e os empregados despedidos, certamente serão readmitidos. Oxalá tudo
corra assim, para o bem de Canoinhas.(23/09/1950).
Lumber:
Decisão Judicial.
Por
sentença proferida pelo dr. José Pedro Mendes de Almeida, digníssimo Juíz de
Direito da Comarca, foi rescindido o contrato de trabalho entre os empregados
da ex-Lumber e a Superintendência das Empresas Incorporadas ao Patrimônio da
União; sendo esta condenada a pagar indenizações correspondente a salários em
atraso, gratificações, tempo de serviço, no total de Cr$ 16.000.000, 00 mais ou
menos e nas custas do processo arbitradas em Cr$ 329.508, 30. (13/11/1954)
Nereu
Ramos e a Lumber
Jornal
Correio do Norte – 17 – 03 - 1956
O Presidente Getúlio Vargas
(petebista) e Nereu Ramos (pessedista) fizeram os operários da Lumher, com suas
famílias; passarem fome, frio e privações; Juscelino Kubitschek (aliancista)
não cumpriu com a .palavra empenhada na praça pública de nossa cidade, quando
de sua visita em 1955.
Gastou milhões e milhões de
cruzeiros dos cofres da Nação em sua viagem de recreio pela Europa e nos
banquetes de posse e deixou que os operários de Três Barras continuassem a
sofrer privações.
Durante longos anos, o doutor Nereu Ramos (o
maior dos catarinenses vivos, o maior benfeitor do povo catarinense, no dizer
de certa gente) foi advogado da grandiosa Companhia Lumber, a maior serraria da
América do Sul.
Então todos os seus funcionários e operários viviam felizes porque recebiam seus salários em dia, produto do seu trabalho.
Também o doutor Nereu Ramos
recebia seus salários em dia, não produto do seu trabalho, porque ele não
precisava trabalhar como os operários da Lumber (que eram obrigados a tarefas
pedadíssimas, enfrentando sol, chuva, frio e calor). Existem hoje, dentre os
servidores da Lumber, homens com 50 anos, mas que aparentam 70 anos; porque o
trabalho árduo os liquidou (físico e mentalmente). No serviço das matas, o
trabalho era interrupto, havendo somente um dia descanso por mês (o domingo do
pagamento). Às 4 horas da manhã esses homens tomavam a máquina, que saía do
acampamento, para dirigir-se ao serviço de extração de pinheiros, regressando
somente às 9 ou 10 da noite.
Lá no serviço, os trabalhadores se
alimentavam de comida fria (feijão, arroz, carne e batatas) que eram cozidos no
dia anterior.
Trabalhavam como
incansavelmente, na esperança de juntar algum dinheiro, para viverem tranqüilos
na velhice.
Mas, eis que entra no destino deles, o
Governo do senhor Getúlio Vargas. Que incorporou a Lumber em 1940 e todas as
demais empresas da Brasil Raylway. Foi um moderno Átila e novo flagelo de Deus,
que se apoderou daquela boa gente. Pois além de delapidarem todo o grande
patrimônio, cujas empresas antes prestavam grandes serviços à Pátria (desde o
Amazonas até o Rio Grande do Sul), ainda deixaram na miséria, centenas e
centenas de brasileiros (estes somente aqui no município e Canoinhas).
Lá em Três Barras, velhos servidores só
não morreram completamente a míngua, porque almas caridosas os socorreram e
porque providencialmente, acha-se a frente da direção daquilo que foi a
Companhia Lumber, um honesto e humanitário oficial do nosso Exército, Francisco
José Ludolf Gomes. Fazem 12 meses que estão atrasados novamente os
salários. E se não fosse o cuidado e atenção do atual Comandante do Campo de
Instrução Marechal Hermes, e seus dignos imediatos, o povo estaria passando
fome.
Pelo menos, o armazém de fornecimentos
mantém o mais necessário para a alimentação. Essas mercadorias são conseguidas
graças ao grande esforço do Comandante, muitas vezes contrariando os próprios
regulamentos da administração militar. A necessidade supera todos os
regulamentos e todas as leis. O Instituo de Aposentadorias de Três Barras,
situado no espaço da antiga Lumber, tem aposentado muitos servidores da
serraria.
Quanto ao doutor Nereu Ramos, o homem que
galgou as mais altas posições políticas em nossa Pátria, que foi durante longos
anos o advogado da Lumber e que depois transferiu sua função para um sobrinho e
na sequência, para um dos seus filhos, nada fez para socorrer o pessoal da
Lumber.
Foi Vice-Presidente da
República por diversas ocasiões e também ocupou a Presidência do Brasil por
determinado período, sempre pregando preservar a liberdade, a justiça e a
felicidade do povo brasileiro. Tudo isso porém, só se aplicava à capital
federal (Rio de Janeiro). Aqui em Santa Catarina, a situação era diferente. E
quanto ao pessoal da Lumber? Nada!
A ascenção do doutor Nereu
Ramos à Presidência de 11 de novembro de 1955 até 31 de janeiro de 1956,
despertou nos trabalhadores da Lumber, muitas esperanças, visto que era um
grande catarinense que lá estava. Era o antigo advogado da Lumber e que conhecia
muito bem os problemas que a serraria estava enfrentando. Ele conhecia toda a
história da Lumber dos americanos, dos Bihops e Weinmeister. Era o homem que
havia participado de glamorosos banquetes, nos áureos tempos da empresa e que
dela havia recebido muitos contos de réis...
Era acima de tudo, um catarinense. Um
companheiro antigo da Lumber, que nas eleições recebia a maioria dos votos
daqueles humildes trabalhadores, que o consideravam um salvador da Pátria, um
Messias! Porém, nada disso foi levado em conta.
Há pouco, nosso atual prefeito, o senhor Generoso Prohman, se dirigiu ao Rio de Janeiro para conversar com o Presidente da República, senhor Nereu Ramos. Levava o senhor Generoso, acima de qualquer pedido, a regularização dos salários dos trabalhadores da Lumber, que se encontravam em lastimável estado de sobrevivência. Mas qual nada! Além de ser mal recebido pelo Presidente, voltou o prefeito com as mãos vazias, triste, aborrecido e acabrunhado.Com apenas duas assinaturas, o doutor Nereu poderia ter resolvido o problema desses pobres funcionários. Mas não o fez.Enquanto isso, em Três Barras o drama continua...
Nota: Militares que comandaram
a Lumber de 1941 a 1952: CeI. Pedro Reginaldo Teixeira, CeI. Gerpe, Cel. Manoel Ferreira de Souza (1947), CeI.
Paim, Gal. Alfredo Menna Barreto .
Exército
- CIMH: 1º Coronel - Nelson Cruz, 2º Coronel - Francisco José Ludolf Gomes, 3º Coronel -
Ovídio Souto da Silva.
Os coronéis acima citados,
fizeram parte da história aqui descrita, a partir dos recortes de artigos do
jornal “Correio do Norte”.
Escreve-se o último capítulo da história da ex-Lumber em nosso Município:
Estamos
informados, de que a Chefia do Campo de Instrução Marechal Hermes acaba de
receber o aviso de crédito da importância de cêrca de
Cr$ 7.900.000,00 proveniente de
crédito especial há mais de um ano aprovado, mas que vinha tendo sua tramitação
pelas diversas secções do Governo Federal.
O crédito em referência é específico para pagamento de salários atrasados dos antigos servidores da ex-Lumber. A
importância anteriormente recebida, foi insuficiente para a completa liquidação,
de modo a restar ainda saldo de 9 meses de 1955, que em face do crédito ora
recebido serão definitivamente liquidados. E' sem favor uma notícia auspiciosa
para todos os servidores da ex-Lumber e de modo geral para os canoinhenses,
pois que assim se encerra o rosário de sofrimentos do povo de Três Barras, cujo
drama compungiu quase o país inteiro.
Agora
quando vemos tudo harmonizado, justo que externemos nosso reconhecimento ao
Exmo. Snr. Presidente da República, Dr. Juscelino
Kubitscheck, que tão
acertadamente soube solucionar o caso da Lumber; ao DD. Ministro da Guerra,
Gal. Lott, cuja interferência foi oportuna e decisiva, como ainda, merece
nossa' homenagem o ilustre Comandante da 5a. R. M. Gal. Perdigão, que não
medindo esforços permaneceu por muitos dias na Capital da República, ativando e
apressando o ato Governamental. Há ainda a destacar o nome do ilustre Chefe do
Campo de Instrução Tte.
CeI. Francisco
José Ludolf Gomes, que sem alarde e sem
a preocupação de ouvir laudas ou hosanas, envidou todos os esforços possíveis
para a consecução desse feliz evento. (06/07/57)
A LUMBER QUE EU VIVI
Por: Carlos Schramm –
11-06-1988
Os americanos ligados à Brazil Railway Company, construtores da
maioria das Estradas de Ferro no Brasil, procuram garantir o necessário frete
para essas ferrovias. Assim, a madeira que havia em abundância no Sul do
Brasil, especialmente o pinheiro Araucária, o qual se destacava em grandes
proporções sobre as demais espécies, foi, o fator que mais animou os acionistas
para a construção: da grande Serraria, que passou a denominar-se SOUTHERN BRASIL LUMBER & COLONIZATION
COMPANY.
Dessa forma, já em 1910,
vieram os entendidos no assunto para adquirir em Três Barras o local para a
construção da grande indústria. 0 proprietário dessas terras era o Sr. Bemvindo
Pacheco dos Santos Lima, grande 'fazendeiro' residente em Três Barras e que
vendeu aos americanos quase tudo aquilo que compõe hoje o município de Três
Barras - território que na época pertencia ao Estado do Paraná e que passou
para Santa Catarina após, o litigio causado pela demarcação das fronteiras
(Leia-se,"Guerra do Contestado").
Isto posto, já em 1911-12,
toda a maquinaria desembarcada no porto de Paranaguá pela ferrovia até Porto
Amazonas, junto ao Rio Iguaçu por onde seguiu via fluvial até Três Barras,
através do Rio Negro.
Na barranca do mesmo rio,
foram montados grandes guinchos que facilitaram a descarga das pesadas
ferragens. Construíram uma pequena ferrovia até o local destinado para a
serraria. Com a tecnologia aplicada
pelos americanos e mesmo não havendo ainda os trilhos da Rede, não houve
majores impecilhos.
Assim já em 1912 a grande
indústria estava em franca produção. E a estrada de ferro somente começou a
funcionar em 1913 quando já' havia um bom estoque de madeira serrada aguardando
transporte para o porto de São Francisco e norte do Brasil. Assentada a indústria com 10' 'grandes
caldeiras com 3.000 HP que forneciam forças para o engenho (Saw mill) como
diziam, mais a grande oficina mecânica, sepilhadeira (Fábrica de Caixas e
beneficiamento da madeira) fábrica de gelo, energia elétrica para o hospital,
farmácia e casas para os empregados.
Atendimento médico e
hospitalar era gratuíto. O primeiro médico foi o Dr. Cerqueira Lima, logo
em seguida foi admitido o, Dr. Osvaldo
de Oliveira que ficou até o final das atividades. O primeiro Diretor foi Mister Smith cunhado dos Bishop's. Logo após assumiu Mister Shermann Bishop que ficou no cargo
durante muitos anos.
Passou o tempo do
extrativismo, deixando seu posto com bastante idade e regressando para os
Estados Unidos, onde mais tarde faleceu. Foi substituido pelo irmão Ernesto Bishop que sabia ser enérgico,
porém fora do serviço, era profundamente humano, não fazia distinção entre as
pessoas, entre classes e a todos ajudava: aos necessitados, às entidades
escolares e religiosas; a ele e sua memória somente devemos gratidão.
Por isso, nos surpreende que
as autoridades até hoje não lhe tenham dado à altura de sua personalidade
humana, algo que preservasse sua
lembrança para sempre.
Logo em, seguida assumiu a
Direção da Lumber o Engenheiro Henry'
Weinmeister, que fora antes, Diretor da São Paulo - Rio Grande.
Em 1935 se encontrava doente e
se submeteu a tratamento nos Estados Unidos. Seu substituto, foi o Sr. Jayme Bishop, que permaneceu por pouco
tempo, pois já em 1940 a Brazil Railway Lumber foi incorporada ao Patrimônio Nacional.
Passado algum tempo houve nova
mudança, pois a parte de Três Barras passou diretamente ao patrimônio do
Exército Nacional sob a denominação de "Campo de Instrução Marechal
Hermes".
O trem foi um dos meios mais utilizados pela Empresa Lumber, para transporte de cargas e viagens.

A Companhia Lumber foi uma grande serraria norte-americana, que fez parte da história de Três Barras - SC.Instalou-se por volta de 1910 e trabalhou até fins de 1951.Um pouco dessa história está registrada no livro "Casa Brasileira", de autoria de Jorge de Souza, publicado em abril de 2007.



































































































3 comentários:
Adorei. Aprendi um pouco mais sobre nossa história. Parabéns.
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Gostaria de comprar o.livro Casa Brasileira , como posso adequerilo,?
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